A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



quinta-feira, 1 de abril de 2010

O ESTADO DE UMA GERAÇÃO

O Município de Paredes, através do Pelouro da Educação, vai realizar, à semelhança de anos anteriores, a edição da Assembleia Municipal de Jovens, envolvendo alunos do Concelho, a realizar no próximo dia 10 de Maio. Pretende-se com esta actividade, que decorre em várias fases, que se promova um debate aberto entre a população escolar jovem do concelho com a finalidade de desenvolver nela competências de cidadania activa e de participação cívica. A temática deste ano foi o tema “A República”.

São já conhecidas as propostas das diversas escolas, a debater e a votar na referida Assembleia. Foram certamente propostas consensuais em cada escola e por isso abordam questões consideradas pertinentes pela população estudantil. Constituem portanto um barómetro do sentir e pensamento consciente de um segmento importante dos paredenses. Vejamos algumas das preocupações expressas:

- participação dos jovens e da sua opinião própria nas autarquias
- interesse colectivo versus interesses individuais e novas formas de organização independente
- regime de governo e corresponsabilização Presidente / Governo
- lei da Paridade
- capacidade electiva de eleitores não residentes nas eleições autárquicas
- prémios e bolsas de ensino, acessibilidade de serviços de saúde, colónias de férias
- desenvolvimento, politicas sociais e parque escolar

São portanto questões importantes, mesmo para o olhar de um adulto, as temáticas que cada escola escolheu. Mas parece-me algo recuada a consciência de outros problemas igualmente pertinentes e que parece-me (e sublinho parece-me) terem estado subalternizados, nomeadamente pelos próprios alunos e pelos professores dinamizadores.

Eis alguns:
- o futuro profissional dos jovens, o emprego, o sucesso
- as condições de trabalho dos jovens, a precariedade, a mobilidade, a família
- a autoridade, a segurança, a violência nas escolas, os Regulamentos Internosdas escolas
- a sexualidade, a adolescência e os afectos
- os valores e a ética, a(s) liberdade(s) e a responsabilidade, numa concepção moderna e na óptica dosjovens
- a ecologia e o consumo
-as dependências, os riscos e as patologias 

Alguns argumentarão que o tema “A República” por si só restringe os projectos a discutir na edição da Assembleia Municipal de Jovens. Nada mais falso. A República não pode ser um chavão histórico e bafiento, recordação de factos e personalidades, cultivo de referências e valores do passado. A República é o tempo presente, ou melhor, é a superação do tempo presente, das suas ineficácias, das suas incapacidades ou das suas perversões. Só assim se pode discutir o papel da juventude, dos seus desejos, das suas ambições. Que passa por outra República, onde se viva e não só se recorde o passado com lamentações pelo presente.

Cristiano Ribeiro