A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



quarta-feira, 9 de junho de 2010

Recordar/PALAVRAS, HÁ APENAS 15 ANOS…

O PÚBLICO de 9/1/95 referia o seguinte:

O Centro de Emprego de Penafiel elaborou um relatório sobre a evolução do mercado de trabalho no Vale do Sousa, realçando as suas “boas perspectivas” (título da notícia). Isto foi há 15 anos.

Vivia-se então uma “crescente quantidade e qualidade (de) pessoas qualificadas”, com “pequenas empresas, com estabilidade ao nível de emprego”, e que com “a expansão da rede e da frequência escolar” favoreciam uma “competitividade da região”. Era um espaço que se queria “região qualificante” e que vivia sobre as loas do Quadro Comunitário de Apoio 1990-1993, com centenas de cursos de formação profissional, centenas de acções e milhares de formandos. Foi há 15 anos.

No extinto O Comércio do Porto de 3/5/1996 salientava-se a declaração do então Presidente da Câmara de Paredes Granja da Fonseca em que este afirmava que Paredes era então o maior centro produtor de mobiliário do País, detendo cerca de 65% da produção nacional. Curiosamente este é em 2010 o mesmo valor que é referido, o que traduziria uma estabilidade verdadeiramente surpreendente.

Mas em 1996 proclamava-se a “qualidade, a criatividade e a inovação” dos produtores de Paredes, um município “fortemente industrializado”, com crescimento económico, social e demográfico em “índices surpreendentes”.

As palavras dominantes em 1995-1996 só podem fazer sorrir amargamente quem enfrenta hoje um desemprego de 12% nos concelhos do mobiliário, uma precária emigração para Espanha para uma construção civil em crise, a redução de direitos no local de emprego, horas de trabalho não pagas, redução do subsídio de desemprego, roubo nos salários, uma região económica e socialmente decadente.

Importa perguntar: como chegamos aqui?

Nós sabemos.