A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Em legítima defesa

Opinião:

As manifestações do 1 de Outubro dão confiança. Expressam não só um profundo descontentamento, mas sobretudo uma firme disponibilidade da classe operária, dos trabalhadores, do povo português para prosseguirem e intensificarem a luta contra o programa de agressão. Representam um poderoso movimento de ruptura com o rumo de desastre nacional, com os interesses dos grupos monopolistas e o poder político que os serve. São sementes de outras poderosas acções capazes de imporem transformações profundas na sociedade, libertando-a da exploração capitalista.Vasco Cardoso

Conscientes do seu real significado, as classes dominantes sintonizaram-se na preparação do dia seguinte. No domingo pela manhã, o Diário de Notícias prestava-se a ser veículo de uma «notícia» com o título «PSP e secretas esperam maiores tumultos desde PREC». Os noticiários nas três televisões pegavam na deixa para substituírem as imagens dos quase 200 mil trabalhadores que em Lisboa e no Porto responderam ao apelo da CGTP-IN, por comentários de ditos entendidos em segurança interna e imagens de acções ocorridas noutros países, martelando essa «notícia» ao longo de todo o dia.

Por detrás de mais esta operação provocatória – a divulgação do dito relatório secreto foi tudo menos uma coincidência –

esconde-se o objectivo de condicionar a luta. Querem criminalizar a justa indignação de quem está a ser roubado no salário, na reforma, nos serviços públicos, nos direitos, na soberania, na liberdade. Incutir o medo e a resignação face a uma política de exploração e saque. Legitimar a repressão do agressor sobre o povo agredido.

Quem está a provocar um verdadeiro «tumulto» social é o grande capital e os governos ao seu serviço. São estes e não outros que estão a fazer uma política incendiária, de pilhagem dos povos e décadas de retrocesso. Quando Durão Barroso diz que só nos últimos três anos foram disponibilizados ao sector financeiro europeu cerca de 4,6 biliões de euros – o equivalente ao PIB da França e da Alemanha em 2010 – de dinheiros públicos, ouvimos uma confissão da dimensão do roubo organizado que está em curso.

Perante isto, as classes dominantes desejariam uma rendição sem condições. Não a vão ter! E é por aí que começa a sua derrota.