A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Capitalismo para Tótós - X (um dicionário sobre os conceitos mascarados)

liberdade - a liberdade é um conceito abstrato com tradução concreta no uso de direitos, acções e comportamentos. A utilização do termo no léxico capitalista tem, no entanto, sido alvo de uma absolutização do conceito de "liberdade" em torno de liberdades capitalistas, como se "liberdade" fosse um conceito concreto, um conjunto de determinandas "liberdades".

Na prática capitalista só existe uma liberdade efectiva, sendo que as restantes existem apenas enquanto decorrem dessa liberdade, ou quando lhe são subsidiárias. Essa liberdade essencial do sistema capitalista é a da apropriação do valor gerado por trabalho alheio, estando sempre associada à posse dos meios de produção. Este conceito de liberdade que se resume como "ser livre de explorar" e, no contraponto, ser "livre" de ser explorado.

Ora, sendo a liberdade um "bem" finito e não elástico, as liberdades de uns são imposições para outros. O que o capitalismo não diz é que a absolutização desta liberdade é precisamente a causa da limitação de todas as restantes.

O sistema capitalista também tem habilmente introduzido um antagonismo ilusório entre "intervenção do Estado" e "liberdade", criando a ideia de que onde existe um não pode existir o outro. Isso só é verdade na medida em que o Estado limita a "liberdade" do capitalista, nomeadamente - por exemplo - na imposição de limites à exploração (o Salário Mínimo Nacional, por exemplo). Ou seja, a liberdade é confundida aqui com o "mercado livre" e importa questionar "livre de quê?"

Por outro lado, o mesmo argumento do sistema já não é válido quando se trata de limitar as liberdades dos explorados. Nesses casos, pode o Estado intervir e até mobilizar as forças de segurança para bater, prender, conter, torturar ou matar, limitando a liberdade de todos os que ousam contestar a liberdade suprema: a de explorar.

Concluindo, a liberdade máxima do sistema capitalista é a de poder explorar o trabalho alheio e essa liberdade não é massificável, nem democratizável. Ou seja, a liberdade de uns poucos para poder explorar é, para a esmagadora maioria da população, a obrigação de ser explorado e a não liberdade para o contestar.

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