A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



domingo, 3 de junho de 2012

MUSS - comunicado , Não à destruição do Serviço Nacional de Saúde


Não à destruição do Serviço Nacional de Saúde


A Nova Carta Hospitalar de autoria da ERS-Entidade Reguladora da Saúde, mais parece uma encomenda a preceito do Ministro da Saúde para constituir uma machadada certeira no já debilitado SNS.
Se as recomendações inscritas na referida Carta forem concretizadas, 26 unidades de saúde fecharão serviços na cirurgia geral, caso dos Hospitais Distritais da Póvoa do Varzim, S. João da Madeira, Santo Tirso, Pombal, Tondela, Seia, Ovar, Alcobaça, Elvas, Chaves, Lamego, Mirandela, Águeda, Torres Novas e Tomar, os quais, possuindo Serviço de Urgência Básica (SUB), deixarão de proporcionar aos utentes internamento da especialidade.
Porém a dita Carta ou Estudo, analisou ainda, além da medicina interna e da cirurgia geral, mais cinco especialidades no respeitante à Neurologia, tendo chegado a uma conclusão curiosa que se traduz na ideia de que esta especialidade só deve existir nos Hospitais Centrais e não nos de proximidade, estando assim envolvidos o Centro Hospitalar do S.João, de Gaia/Espinho, do Santo António, Universitário de Coimbra, Tondela/Viseu, Lisboa Norte, Santa Maria, Lisboa Central, S. José, Médio Tejo, Vila Franca de Xira e Lisboa Sul.
Na especialidade de pediatria com internamento, os autores da encomenda do Sr. Ministro recomendam o encerramento nos Hospitais da Póvoa de Varzim e Distrital de Torres Novas, dizendo mais que esta especialidade deve ser encarada em conjunto com ginecologia e obstetrícia e para que tudo fique no melhor dos mundos acabam os partos nos Hospitais de Amarante, Barcelos, Chaves, Lamego, Mirandela, Santo Tirso, Póvoa de Varzim e Oliveira de Azeméis, originando desta completa panóplia de malfeitorias e de insensibilidade social e moral que os utentes passarão a ir para tratamentos às águas ou irão entrar no mundo da marginalidade, no sentido de obterem recursos para pagamento dos seus padecimentos.
Por outro lado, um novo procedimento de concurso público de contratação de médicos para as instituições do SNS, através de empresas privadas prestadoras de serviços, estilo «man power», representa uma ofensa à dignidade e profissionalismo dos médicos, contribuindo também para a destruição das suas carreiras e da qualidade no exercício da profissão, redundando daqui também um claro prejuízo para os utentes.
Eis alguns dos critérios inadmissíveis a adotar para a contratação dos clínicos:
- a adjudicação valorizará o mais baixo preço/hora
- não existe qualquer exigência de qualidade nos critérios de adjudicação
- os contratos são válidos por períodos de 12 meses
- o prestador privado pode mudar sucessivamente os profissionais com pré-aviso de 30 dias
- os médicos colocados por essas empresas obrigam-se a efetuar pelo menos 4 consultas/hora
- obrigação de preenchimento de registo de presenças
- não exigência de possuírem especialidade de medicina geral e familiar
Estamos, pois, perante mais um ataque cirurgicamente planeado contra o SNS, atitude que só merecerá dos utentes um inequívoco repúdio e provocará uma onda de grande indignação, levando o MUSS-Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde a apelar às mais variadas iniciativas, principalmente nas regiões afetadas.
02/06/2012
MUSS-Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde