A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



sábado, 22 de setembro de 2012

As indignações

Decorreu um ano com políticas de austeridade extrema e de sacrifícios para a esmagadora maioria da população portuguesa, com reflexos na vida dos trabalhadores e outras camadas populares, tais como, reformados, pensionistas e idosos, utentes e profissionais dos serviços públicos, pequenos e médios comerciantes e industriais, jovens à procura do primeiro emprego e jovens desempregados, colocando o País numa situação de recessão económica e os portugueses em fragilidade e pobreza, impensáveis no Portugal do século XXI.

 No entanto e ultrapassando todos os limites, decoro e sensibilidade social e moral, o atual, esperemos que por pouco tempo, executivo governamental anuncia novas e brutais medidas para agravarem ainda mais a situação dramática do País, constituindo um autêntico roubo, não devemos ter receio das palavras duras, especialmente ao mundo laboral com o aumento das comparticipações para a Segurança Social, das taxas de IRS, a aceleração do ritmo de despedimentos na Administração Pública, enquanto mantém as indecorosas exceções salariais aos gestores e reduz 5,75% na TSU-Taxa Social Única às empresas, beneficiando essencialmente os grandes grupos económicos e as grandes superfícies empresariais, medida sem aval dos próprios representantes do empresariado.

Paralelamente, anuncia o executivo governamental um aumento residual de taxas sobre os mais favorecidos, incidindo nos seus aviões, barcos de recreio e rendimentos, tudo isto contabilizando a ridícula quantia de duas dúzias de milhões de euros em comparação com os milhares de milhões de euros extorquidos aos rendimentos do trabalho, uma operação de «marketing» político e uma hipócrita manobra de diversão para nos fazer crer que os sacrifícios são para todos.

É isto que o primeiro-ministro diz que «não pode ser atirado pela janela fora», mesmo depois de comprovadamente sabermos que as receitas ou o «xarope» se revelaram incapazes de resolver os problemas do País, o qual bem poderia ter sido poupado a este ruinoso caminho protagonizado por PS, PSD e CDS e com a prestimosa clemência do Presidente da República, se houvesse o bom senso de pelo menos escutar as opiniões e mesmo prevenções do PCP.

A credibilidade do governo e a falência das suas políticas estão hoje à vista de todos, pelo que se torna criminosa a sua vontade de continuar o caminho para o abismo com o adiamento das metas do défice, o aumento da dívida soberana, o prolongamento da recessão económica, o esperado aumento do desemprego e o contínuo favorecimento do grande capital.

Pois com este panorama de declínio e pobreza, ainda há quem reclame e se indigne, apesar de continuar a usufruir de mordomias ou acumulação de cargos, caso do Sr. Soares a informar pela televisão que está a ser muito prejudicado com as medidas governamentais e do Sr. Nogueira Leite a dizer-nos via face book que se lhe aumentarem os impostos vai «pirar-se». Eles e outros congéneres já se deviam ter «pirado» há muito tempo, pois assim o País respiraria muito melhores ares e seguramente estaria em muito melhores condições sociais e económicas sem eles.

 Os portugueses devem ter consciência de que, contrariamente ao que nos tentam «injetar» todos os dias, com cábulas e sem elas, há alternativas e propostas a este caminho recessivo e de pobreza, que passam pela renegociação da dívida de forma a permitir uma política económica assente no aumento da produção nacional, da promoção do emprego com direitos, do aumento do investimento, garantindo justiça social e uma legítima distribuição da riqueza, razão pela qual é urgente unir esforços nesse sentido, na certeza de que o povo terá sempre a última palavra.

VB 
14/09/2012