A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



sábado, 6 de outubro de 2012

Resumo da Assembleia Municipal de Paredes parte I

CRONOLOGIA DE UM SEQUESTRO (I)

21h15 de 4.ª feira dia 3 de Outubro


Frente ao edifício da Câmara Municipal de Paredes, populares com cartazes preparavam-se para presenciar uma sessão da Assembleia Municipal. Alguma tensão no ar. Cheguei acompanhado de Álvaro Pinto. Cá fora já tínhamos ouvido a tradicional lengalenga do PSD cordato (“sou contra, mas”)
A sala tem comunicação social em peso. Talvez corra bem, há testemunhas e houve um apelo dramático ao bom senso por mim efectuado.

Anuncio ao Presidente da Assembleia Municipal que quero apresentar um requerimento para propor a supressão do ponto 11- Reorganização administrativa – Discussão e apresentação de propostas na Assembleia Municipal. Responde-me assinalando o momento: depois da leitura do expediente e anteriormente ao período de antes da ordem do dia. Aqui chegados, o Presidente da Assembleia, “distraído”, não assinala a minha pretensão como líder da CDU. Levanto-me e interpelo o Presidente que diz em tom altaneiro que o senhor deputado da CDU “tem qualquer coisa para dizer”. Retroco-lhe que “qualquer coisa para dizer” é linguagem para fora da Assembleia e que na Assembleia apresento requerimentos, de forma regulamentar. Está o caldo entornado. Feita a leitura a frete do requerimento, escrita á mão, procedeu-se á votação. E que argumentava o requerimento? “…que não tinha havido uma reflexão necessária, nem proposta anterior, sobre a supressão de freguesias e que era inoportuna a sua discussão e votação em Assembleia Ordinária a altas horas da noite e após outros pontos certamente relevantes, mas de importância desigual. Apontava-se para uma Sessão Extraordinária. O rolo compressor da bancada do PSD inviabilizou a aceitação do requerimento. O sinal estava dado, a orquestra estava afinada. Percebia-se que havia um guião e mesmo aspectos não previstos, como a presença de manifestantes, eram orientados via telemóvel do Presidente da Câmara.
Seguidamente o PS apresentou uma proposta que colocava o ponto 11. no inicio da Ordem de Trabalhos. O mesmo rolo compressor do PSD, sem justificação necessária, o posso quero e mando, ditou a sorte da proposta PS. Percebeu-se que íamos assistir a um sequestro, uma pressão inaudita, avessa a diálogos, a sensibilidade, a cortesias. O público presente, interessado na decisão, pareceu anestesiado e chocado com tanta arrogância. Também ele ia penar por querer assistir e talvez ingenuamente sonhar participar da decisão. Os “coronéis” do PSD estavam atentos. Granja da Fonseca, Celso Ferreira, Pedro Mendes, José Manuel Outeiro e Luciano Gomes, de rosto contraído, dirigiam a encenação. Havia umas personalidades menores com papel previsto no sequestro.

2h30 da madrugada de 5.ª feira dia 4 de Outubro
Chegados ao ponto 11., depois de uma digressão intensa pelo Orçamento, relatório de actividades, derrama, IMI, arte “pacóvia”, endividamentos e investimentos a custo zero, preparávamo-nos para a “surpresa” do PSD. A galeria, mais desfalcada, parecia contudo mais motivada. Afinal era um momento histórico, onde o bom senso e a razão poderiam resgatar as bancadas do PS e da CDU. O PSD apresentou á mesa uma proposta, o PS outra, a CDU lembrava que a Reforma Administrativa de Relvas já tinha sido chumbada na Assembleia Municipal por unanimidade. 

A leitura da proposta do PSD feita pela secretária da mesa durou …35 minutos. Foram 31 páginas e dois anexos-fotocópias, lidas às 3 horas da manhã e posteriormente fotocopiadas, um exemplar por cada grupo politico. Um massacre total. E premeditado. Arrogantemente. Julguei que já estaríamos na “suspensão da democracia” da Manuela Ferreira Leite. Mas afinal estávamos no terreno privilegiado dos “coronéis” do PSD de Paredes. Expostos ao gozo, á prepotência, ao descontrolo de “loucos” impunes. Continuo na próxima.
CR