A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



sábado, 22 de março de 2014

"Cantar Grândola, 40 anos depois", 28 de Março no Coliseu de Lisboa




Um vasto conjunto de cantores e músicos de excecional qualidade – Amélia Muge, Amílcar Vasques e Luís Cunha, António Victorino d’Almeida e Luiz Avellar, Carlos Alberto Moniz, Couple Coffee, Esther Merino, Filipa Pais, Filipe Raposo, Francisco Fanhais, Janita Salomé, João Afonso, José Fanha, Júlio Pereira, Luísa Amaro e Gonçalo Lopes, Manuel Portugal, Manuel Freire, Rui Pato, Samuel, Sérgio Godinho e Zeca Medeiros – sobe ao palco, dia 28, para evocar o espetáculo de 1974, relembrar o seu significado e homenagear os participantes já falecidos – Adriano Correia de Oliveira, Ary dos Santos, Carlos Paredes e José Afonso.

A noite promete ser de espetáculo vibrante, como foi a de 29 de março de 1974 com o 1.º Encontro da Canção Portuguesa organizado pela Casa da Imprensa para entregar os prémios com que anualmente distinguia personalidades da área cultural. As autoridades tentaram impedir a sua realização e só na própria noite o concerto foi autorizado mas com diversas canções censuradas e proibidas. O espetáculo adquiriu o significado de um ato de resistência à ditadura, com a sala do Coliseu superlotada com cerca de cinco mil pessoas vigiadas por um forte dispositivo policial.

Como relatou o “Diário de Lisboa”: «O Coliseu estava guardado, as ruas próximas invadidas de veículos azuis, e muitas fardas nos corredores, mais os estranhos rostos onde não morava o desejo de assistir ao espetáculo. Havia ainda os bombeiros, porque entre cinco mil pessoas, é extremamente fácil fazer saltar a faísca, e da faísca chegar ao incêndio».

No espetáculo de 1974 atuaram Adriano Correia de Oliveira, Ary dos Santos, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo, Carlos Paredes e Fernando Alvim, Fernando Tordo, Os Introito (com Nuno Gomes dos Santos), José Afonso, José Barata Moura, José Jorge Letria, Manuel Freire, o grupo espanhol Vino Tinto e também Fausto e Vitorino que participaram como músicos. Nunca, em Portugal, tantos cantores de intervenção tinham estado juntos em palco e por isso «a Casa da Imprensa teve de vencer obstáculos de diversa ordem, como não é difícil calcular», salientou o presidente da associação, Mário Cardoso, na apresentação do espetáculo.

Apesar da intimidação policial, «o ambiente era de euforia, de autêntica festa». O “Diário Popular” acrescentava: «Os mais jovens manifestavam-se exuberantemente, em assobios, palmas e gritos, como se os percorresse certo nervosismo, como se algo importante estivesse para acontecer. Embora não fosse mais do que pressentimento».

O momento culminante do espetáculo, ainda segundo o “Diário Popular”, chegou «com o avanço de José Afonso, em direção ao micro. “Grândola” foi tema mais uma vez repetido: com ele, as vozes dos restantes intérpretes que se encontravam no palco e, ainda, todas as pessoas que enchiam o Coliseu. Emocionante aquele espetáculo: de braços dados e oscilando ao ritmo da nostálgica melodia do folclore alentejano, as cinco mil pessoas cantaram aquele tema simples com uma convicção insuspeitada».

O espetáculo do próximo dia 28, às 21h30, é organizado pela Associação José Afonso com a colaboração da Casa da Imprensa e o apoio de várias entidades, entre as quais a Associação 25 de Abril.

Para mais informações contactar:

Casa da Imprensa | 213 422 336 | 213 420 277
José Luiz Fernandes | 917 839 001

Ver mais em: https://www.facebook.com/AssociacaoJoseAfonso